A Moça do espelho

 

 

  

 
A moça que mira-me no espelho

Traz consigo a verdura outonal em seu olhar

O perfume da romã sobre os cabelos

E nos lábios, o rubro de um coração primaveril.

Seus dentes, marfins alvos de brancas nuvens,

Sua pele é seda chinesa que vestira mil gueixas

Em castelos de porcelana, em uma época mágica.

Suas pernas, vigas fortes de mármore e metal.

Suas mãos, talham os sonhos em concreto.

Seu corpo é flor de maio e pólen de mel

Gineceu de Psique e feronômio de Eros.

Sua alma puro prana, darma e nirvana!

A moça que mira-me no espelho,

Tem odor de cravo-da-índia e vegetação de savanas,

Enigmática como Quéops,

Vasta como o Saara ou os Lençóis Maranhenses.

A moça que mira-me no espelho

Conheço-a profundamente:

É mulher-menina, que segreda-me o oculto

E faz-me confidente de seu amor absoluto

Pela vida, pelo mundo e por mim,

Que sou o seu reflexo.


 

 

    


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