Trovares de Amor

 

 
 
 

 
 
Trovares de Amor

 
 

 
Quero-te como a coragem dos velhos navegantes
Que cruzaram oceanos e mares,
Em busca de novos caminhos e horizontes.
Quero-te ilha e continente,
A navegar pelo caminho de águas errantes
Deixar-me vagar pelas marés
Polares flutuantes
A doce lira de Cervantes.
Quero a paixão de Cruz e Souza
A marulhar a nau dos versos e rimas soltas
Sobre teu dorso, desabrochar em prosa
Dos ventos, a rosa do meu eu.
E na galera de Vasco da Gama,
Singrar o amor que minh’alma reclama!
Quero de Drummond, a grande cama
E seu colchão de amar
E nele, amar-te sem medida
Em um tempo suspenso no ar.
Quero-te tão singelamente,
Como o marulho de ondas a pré-amar
Amando-te sem porto e sem repouso
Qual gaivota que plaina e beija o sal.
Quero-te sem meios termos, nem promessas,
Quero-te vinho do Porto e serestas,
Amor que descansa em canteiros
De orquídeas e dálias, em outeiros.
Quero-te rosa, gérbera e cravos,
Especiarias finas e mel em favos.
Quero-te lírio e copo-de-leite,
E morrer de prazer e deleites
Na cama cálida, frente à lareira,
E nos teus braços crepitar fogueira
Do amor que dou-te
Em lábios amantes.
Quero-te pele, olhos e olhares,
Que transpassam pupilas
e vertem em lágrimas salutares
O gozo doce de amor que corre
Em veios quentes entre teu corpo e o meu.
Quero-te dó-ré-mi-fá-sol-lá-si,
Em notas claras que vibram em clave,
E do tom agudo ao grave
Fazer do amor um tema leve
Para cantá-lo apenas para ti!
 
 (Lara Machado)
 
 

 

 

  

 


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